quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O horror vem de novo do Pará.

O horror vem de novo do ParáMenina de 14 anos denuncia ter sido estuprada por cinco dias seguidos em colônia penal a 50 km de Belém. Diretor da unidade e funcionários foram exonerados. Caso remete ao episódio da adolescente de Abaetetuba, mantida em uma cela com 30 homens.

Quase quatro anos depois de uma adolescente ser presa em uma cela com 30 homens que a estupraram por 26 dias, em Abaetetuba (PA), outro caso de barbárie pode ter se repetido no sistema penitenciário paraense. Uma menina de 14 anos teria passado cinco dias sendo abusada sexualmente e espancada por detentos da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, unidade penal de regime semiaberto, em Santa Izabel do Pará, a 50Km de Belém. Os relatos foram colhidos pelo conselho tutelar do município, depois que a Policia Militar foi procurada pela garota, às margens da BR-316, no fim da madrugada de sábado. Em seguida, ela foi levada ao conselho de Belém e a Delegacia de Atendimento ao Adolescente (Data), onde prestou depoimento e submeteu-se a exames de lesão corporal e de conjunção carnal, cujos resultados devem sair em dois dias.

A menina, que fugiu de casa em julho e não tem contato com a mãe, foi levada para um abrigo. Segundo a conselheira Helennice Rocha, ela está muito abalada e relatou ter sido aliciada por uma mulher de 25 anos, na Praia do Outeiro, distrito de Belém, que se apresentou como Ana. A aliciadora teria intermediado o contato da jovem com um detento identificado como Faísca, na segunda-feira passada. A jovem contou que entrou, por conta própria, na unidade penal para encontrar Faísca com outras duas adolescentes, seguindo uma trilha no meio de um matagal. Chegando lá, as três teriam sido drogadas, alcoolizadas, espancadas e obrigadas a manter relações sexuais com vários detentos. Depois de cinco dias, a garota conseguiu fugir.

Segundo o conselheiro tutelar Benilson da Silva, que recebeu a menina em Belém, ela perdeu a conta de quantos homens a violentaram. Ele informa ainda que as relações foram mantidas sem preservativos e que hoje a garota deverá ser submetida a mais exames e que tomará vacinas contra doenças venéreas. "Elas iam para lá servir como prostitutas, não entendo como não há vigilância para impedir isso", lamenta Helennice Rocha. Ela afirma que o conselho tutelar vai apresentar denúncia no Ministério Público hoje sobre o caso.

O delegado Fabiano Amazonas, da Data, afirma que as outras adolescentes não foram encontradas e que o caso está sendo investigado sob segredo de Justiça. Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão nacional da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil, critica a falta de controle nas unidades penitenciárias. "É um caso abominável. Uma adolescente de 14 anos não poderia ter sido autorizada a entrar e é mais grave ainda que tenha entrado escondida, porque mostra que o local não tem o mínimo de vigilância e controle." Ele acredita tratar-se de um caso de exploração sexual, hipótese levantada também pelos conselheiros tutelares.

Superintendente do Sistema Penitenciário do Pará, o major Francisco Bernardes disse que haverá um reforço na segurança do Complexo Penal de Americano que abriga, além da colônia, mais cinco unidades penais abertas. Vinte homens são responsáveis pela vigilância dos 341 detentos da Colônia Agrícola, que tem 120 hectares. "É difícil manter uma fiscalização muito efetiva por conta da dimensão", diz o major. Ontem, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), exonerou o diretor da instituição penal, Andrés de Albuquerque Nunes, e outros funcionários por negligência. Jatene pediu um estudo para construir um muro de contenção ao redor da área.

Júnia Gama
Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Se não houver amanhã



Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer, hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: “e se não houver amanhã?”

Então hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, de correr, de abraçar.

Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta... Hoje eu vou observar seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.

Porque, se não houver amanhã... Eu quero ter gravado em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias... Hoje eu q
uero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você essa magia que lhe traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração.

Hoje eu vou me sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... E sem pressa.

Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário. Sabe, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa...
o hoje é presente. Assim, se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual é a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.

Quero conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e lhe transmitir confiança... Hoje, quando você for se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir para que fique um pouco mais ao meu lado.

Sabe, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.

Eu sei que
muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento.

Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos,
você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim. Nada ficará pendente...

Quero registrar na minha alma cada gesto seu.

Quero gravar em meu ser, para sempre, o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados.

Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim.

Seja você meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez,
você vai saber hoje, o quanto é importante para mim... Porque, se não houver amanhã...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Todo Mundo Erra



Você, certamente, já ouviu ou falou a frase: "todo mundo erra!". Essa afirmativa está correta, porque a Terra é um planeta de provas e expiações, o que quer dizer que neste mundo não há ninguém perfeito.

A perfeição é uma meta que todos nós alcançaremos um dia, mas não pode ser encontrada no atual estágio evolutivo da humanidade terrestre. Não é outra a razão porque todos ainda cometemos erros, embora muitas vezes tentando acertar.

Tudo isso é fácil de entender, dirão alguns. E mais fácil ainda é tentar justificar as próprias faltas com a desculpa da imperfeição. Admitir, portanto, que cometemos falhas mais vezes do que gostaríamos, não é difícil. Também não é difícil tolerar os escorregões dos nossos afetos.

No entanto, se você admite que "todo mundo erra", porque é tão difícil relevar as imperfeições alheias? Porque é tão fácil justificar os próprios erros e tão difícil aceitá-los nos outros?

Se quebramos um copo, por exemplo, logo nos desculpamos dizendo que foi sem querer
, e pode ter sido mesmo. Mas, se é outra pessoa que o faz, já achamos uma maneira de criticar, dizendo que é descuidada ou não prestou a devida atenção no que estava fazendo.

Se a esposa não conseguiu servir o almoço na hora que deveria, é porque ficou de conversa fiada com alguma amiga. Mas quando você é o esposo e não dá conta de entregar um serviço no prazo, é porque é um homem muito atarefado.

Quando o marido chega em casa nervoso e irritado, é porque está sobrecarregado de problemas, mas não desculpa se a esposa está impaciente por ter passado o dia todo ouvindo choro de criança e atendendo as tarefas da casa.

Se você é a esposa e tem seus motivos para justificar a falta de atenção com os filhos, em determinado momento, pense que seu esposo também tem suas razões para justificar uma falta qualquer.

Se você é filho e acha que está certo agindo desta ou daquela maneira, entenda seus pais, pois eles também encontrarão motivos para justificar seus deslizes.

O que geralmente ocorre, é que não paramos para ouvir as pessoas que transitam em nossa estrada. O que é mais comum, é criticar sem saber dos motivos que as levaram a se equivocar.

Se temos sempre uma desculpa para nossas faltas, devemos convir que os outros também as têm. Se assim é, por que tanta inquietação com as ações que julgamos erradas nos outros?

Não temos a intenção de fazer apologia ou defender o desculpismo, mas, simplesmente, chamar a atenção para o fato de que todos estamos sujeitos a dar um passo em falso. E por isso devemos, no mínimo, entender quando isso acontece.

Se todo mundo erra, temos mais motivos para a tolerância e o perdão. E se ninguém é perfeito, mais razão para entender as imperfeições alheias.

Ou será que só nós temos o direito a tropeçar?
Um dia eu vou...

Você alguma vez se pegou dizendo:
“Um dia vou escrever um livro... ou viajar pelo mundo, compor uma sinfonia...”, ou qualquer outra coisa do gênero? Não foi só você que fez isso.

Quase todos nós fantasiamos sobre algo que gostaríamos de fazer um dia. Uns gostariam apenas de ter mais tempo para dedicar à família ou aos amigos; outros de trabalhar em algo diferente, ou desenvolver um hobby, um talento. Seja como for que você complete a frase

um dia eu vou...”- saiba que os sonhos e sentimentos a respeito do que gostaria de fazer são pistas importantes para a identificação do que realmente é mais importante para você.

E se é importante, comece desde já... Lembre-se, a cada manhã, quando o despertador toca, você tem uma nova oportunidade de fazer o que quer com as horas à sua frente.
Diariamente você recebe uma lousa nova, sem nada escrito. Você pode ter 10, 20, 30, 50 anos de vida pela frente; e como você vai usar esse tempo?

O que você vai fazer com o resto da sua vida? Vai continuar a se enganar, achando que algum dia terá tempo para fazer alguma das coisas que realmente são importantes para você?
Na verdade, isso nunca acontecerá, a menos que você decida que esse tempo é hoje.

A
verdadeira realização na vida acontece quando respondemos com honestidade às seguintes perguntas: - o que é mais importante para mim?, - o que eu gostaria verdadeiramente de realizar?, - que legado eu gostaria de deixar?

O desafio é descobrir o que queremos, o que gostaríamos de fazer e, então, começar a trabalhar diariamente para realizar nossos desejos. Não importa se temos, 20, 35, 50, 75 anos, ou mais.
O que precisamos fazer é decidir quando vamos começar a trabalhar para conseguir o que queremos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No céu

Era uma vez, num certo lugar, num tempo imaginário, um senhor muito rico e muito maldoso. Era rico e esbanjava dinheiro com luxo e conforto para ele, mas seus empregados eram desprezados, e quase não tinham salário.

O que eles ganhavam mal dava para comer.
Para o rico não faltava nada. Ele era muito bem vestido, comia do bom e do melhor. Fazia grandes festas, e seus funcionários passavam muitas necessidades.
Sebastião era o mais miserável e mal tratado daquela casa. Toda raiva do patrão era descontada no coitado do Sebastião.

No frio Sebastião tremia porque não tinha blusa. Vivia sempre com fome. Só comia os restos que seriam jogados para o cachorro. Um dia o patrão morreu e foi para o céu. Chegando lá vestiram o patrão com uma roupa muito bonita, e começaram a passar muitos doces na sua roupa.

Era uma maravilha de se ver. Aqueles doces apetitosos, caldas de caramelo escorrendo, chocolates de todas as espécies, tudo passado na roupa do patrão. Um dia depois morreu o Sebastião, que era empregado, e também foi para o céu.

Chegando lá deram uma roupa muito velha e suja para o pobre Sebastião, e ainda por cima começaram a colocar barro, estrume de animais e humanos. O rico estava todo orgulhoso de suas novas roupas, e o Sebastião continuava triste mas calado.
Os outros habitantes do céu estavam indignados com tamanha injustiça.

Onde já se viu, o rico que sempre aproveitou a vida e fez todo tipo de maldade estava bem vestido e cheiroso, enquanto o Sebastião que sempre foi humilde e humilhado estava todo sujo e fedido.
Ouviu-se um sinal e todos se reuniram numa grande sala.
O rico foi chamado e colocado num lugar de destaque bem na frente de todas as pessoas, de forma que todos podiam vê-lo.
Logo em seguida o Sebastião também foi chamado e colocado ao lado do rico.

Uma voz muito forte ressoou e mandou que o rico fosse lambendo a roupa do Sebastião e que o Sebastião fosse lambendo a roupa do rico. A partir daí ninguém mais achou que era injustiça.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quando Deus nos olha

Uma senhora gostava de repetir uma singular experiência que vivera na sua juventude. Nascera numa pequena aldeia e, filha de uma família modesta, herdara a profissão da mãe - costureira.
Certo dia, a maquina apresentou um sério defeito e precisou ser levada a uma oficina de consertos que distava vinte quilômetros da aldeia. Colocaram-na num carrinho e se servindo da companhia de uma amiga pôs-se a caminho.

Quando chegaram, o técnico disse-lhes que o conserto demoraria algumas horas - o que de fato ocorreu. Portanto, já era noite quando as duas jovens retomaram o caminho com destino à aldeia.
A quietude da noite as incomodava grandemente e, temendo algum encontro desagradável, especialmente na floresta que forçosamente teriam de atravessar e que ficava distante de qualquer moradia, ambas concluíram que em tais circunstâncias só poderiam contar com a proteção do Senhor.
Ajoelharam-se à beira do caminho e humildemente suplicaram a Deus que as guardasse e as livrasse de qualquer forma de perigo.

Com os corações reconfortados prosseguiram na caminhada, seguras da presença do Senhor. Com um pouco mais de tempo, entraram na floresta. A noite estava clara, mas a sombra da folhagem escurecia de tal maneira a estrada que elas nem sequer podiam ver onde colocavam os pés; porém, seguiam confiantes, sabendo que o Pai nunca desampara aqueles que o buscam.

E nesse pensamento, de repente, viram um enorme cão pastor saído de algum ponto da floresta, aproximar-se delas e caminhar lado a lado com as duas. Ambas esperavam que o dono do cão aparecesse a qualquer momento, mas isso não aconteceu e lá seguiram elas o seu caminho, acompanhadas por aquele guarda providencial.

A escuridão crescia à medida que a floresta ficava mais densa e, em dado momento, eis que um homem atravessou-se no caminho, bem perto das jovens, enquanto elas, espantadas, se detiveram à medida que ele ia se aproximando. Foi aí que o guarda providencial entrou em ação.
Eriçou os pêlos, arqueou o corpo e se preparou para saltar sobre o intruso. Este, vendo as intenções do inimigo com quem teria de se bater embrenhou-se de novo na floresta. O animal prosseguiu caminhando ao lado das duas, até chegarem à casa da costureira.

Quando aliviadas abriram a porta e entraram, viraram-se para chamar o cão, na intenção de agradá-lo, mas o animal já havia se afastado e desaparecido na noite escura tão misteriosamente como havia aparecido, quando atravessavam a floresta. As duas jovens nunca mais viram o animal.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um som por um perfume

Um pobre viajante parou ao meio-dia para descansar à sombra de uma frondosa árvore. Ele viera de muito longe e sobrara apenas um pedaço de pão para almoçar. Do outro lado da estrada, havia um quiosque com tentadores pastéis e bolos; o viajante se deliciava sentindo as fragrâncias que flutuavam pelo ar, enquanto mascava seu pedacinho de pão dormido.

Ao se levantar para seguir caminho, o padeiro subitamente saiu correndo do quiosque, atravessou a estrada e agarrou-o pelo colarinho.
- Espere aí! - gritou o padeiro. - Você tem que pagar pelos bolos!
- Que é isso? - protestou o espantado viajante. - Eu nem encostei nos seus bolos!

- Seu ladrão! - berrava o padeiro. - É perfeitamente óbvio que você aproveitou seu próprio pão dormido bem melhor, só sentindo os cheirinhos deliciosos da minha padaria. Você não sai daqui enquanto não me pagar pelo que levou. Eu não trabalho à toa não, camarada!
Uma multidão se juntou e instou para que levasse o caso ao juiz local, um velho muito sábio. O juiz ouviu os argumentos, pensou bastante e depois ditou a sentença.

- Você está certo - disse ao padeiro. - Este viajante saboreou os frutos do seu trabalho. E julgo que o perfume dos seus bolos vale três moedas de ouro.
- Isso é um absurdo! Objetou o viajante. - Além disso, gastei meu dinheiro todo na viagem. Não tenho mais nem um centavo.
- Ah... - disse o juiz. - Neste caso, vou ajudá-lo.

Tirou três moedas de ouro do próprio bolso, e o padeiro logo avançou para pegar.
- Ainda não - disse o juiz. - Você diz que esse viajante meramente sentiu o cheiro dos seus bolos, não é?

- É isso mesmo - respondeu o padeiro.
- Mas ele não engoliu nem um pedacinho?
- Já lhe disse que não.
- Nem provou nem um pastel?
- Não!
- Nem encostou nas tortas?
- Não!

- Então, já que ele consumiu apenas o perfume, você será pago apenas com som. Abra os ouvidos para receber o que você merece.
O sábio juiz jogou as moedas de uma mão para outra, fazendo-as retinir bem perto das gananciosas orelhas do padeiro.

- Se ao menos você tivesse a bondade de ajudar esse pobre homem em viagem - disse o juiz -, você até ganharia recompensas em ouro, no Céu.